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  Com parceiro top 10, Bruno Soares pensa em Masters e Grand Slam.  
  Entre 2006 e início de 2007, Bruno Soares enfrentou momento duro com uma lesão “misteriosa”.  
   
  Entre 2006 e início de 2007, Bruno Soares enfrentou momento duro com uma lesão “misteriosa”. Sem saída, precisou operar, passou longo tempo parado e chegou inclusive a pensar em futuro longe do esporte. Com persistência, porém, iniciou incrível virada a partir do segundo semestre do ano passado e viveu em 2008 uma temporada “dos sonhos”, com surpreendente semifinal em Roland Garros e entrada no top 30 mundial.

Mesmo em alta, faltava ainda um parceiro fixo para este mineiro de 26 anos sonhar com objetivos mais altos. Algo que para 2009 ele acabou de definir. Após algum suspense e negociações nos bastidores, ele acertou as bases da parceria com o experiente Kevin Ullyett, 36, atual número 9 do mundo e dono de 32 títulos no circuito - um deles, aliás, ao lado do mineiro, em Nottingham.

E mesmo ansioso para estrear a nova dupla, Bruno ainda comemora outra grande conquista: a entrada inesperada no Masters Series de Paris ao lado do israelense Andy Ram, sexto do mundo. Algo que comprova mais uma vez o rápido prestígio por ele adquirido.

Nesta terça-feira, em uma das quadras de treino localizadas a 10 minutos do complexo de Bercy, no sul da capital francesa, o terceiro melhor duplista do país concedeu entrevista para Tenisbrasil e contou mais sobre a relação com o novo parceiro, sobre os planos para 2009 e sobre sua nova condição no circuito profissional.

Antes mesmo da definição com o Ullyett, como foi o primeiro contato para jogarem juntos? E depois, como foi a negociação?
O primeiro contato foi dele, em Roland Garros mesmo. Ganhei dele e do (Jonas) Bjorkman nas quartas e, logo depois da minha semifinal, ele me mandou uma mensagem, dizendo que o Bjorkman não ia jogar em Nottingham e perguntando se eu topava atuar junto. Eu estava sem parcerio, já ia para lá mesmo e tudo coincidiu. Jogamos e fomos campeões. Na mesma semana, ele me chamou para Washington (em agosto), porque o Bjorkman estaria nas Olimpíadas. Novamente fomos bem e fizemos final. Depois de um tempo sem se falar, veio a notícia que o Bjorkman ia se aposentar. Liguei para o Kevin e falei: “Olha, para o ano que vem quero um parceiro fixo e, como me dei bem com você tanto dentro como fora da quadra, gostaria de te convidar. Mas fique livre para pensar”. Ele me respondeu na hora, foi ótimo. Resolvemos começar já na Austrália, para tentar objetivos maiores como ir ao Masters. As expectativas são muito boas.

Para você, um cara que passou por dificuldades em 2005 e 2006 e praticamente começou a carreira do zero em 2007 e 2008, como foi receber o convite de um supercampeão?
Foi realmente surpreendente e fiquei muito feliz. Até 2005 – eu já tinha seis anos de circuito -, jogava só em challengers, qualifying de ATPs. Eu sabia quem eles eram, mas eles não me conheciam. Vir dele este primeiro contato foi sensacional e provou que ele é um cara humilde. Ele foi atrás do meu telefone e me mandou a mensagem. Eles eram cabeças-de-chave em Roland Garros, poderiam ter pensado que um moleque como eu poderia ter feito o jogo da vida naquele dia. Mas ele é de uma educação e simpatia impressionantes. Além de ser importante como parceiro por ser mais velho e ter experiência de circuito. Com certeza vai me ajudar a encurtar alguns processos.

Ele te contou por que resolveu fazer este convite? O que ele viu de especial em você?
Sim, contou. Aliás, conversamos sobre isso recentemente. Ele falou que gosta da minha devolução, que acha esta minha maior qualidade. E ele é um cara que se mexe muito bem na rede. Tirando os quatro primeiros do ranking, o (Daniel) Nestor, (Nenad) Zimonjic e os Bryan, que sacam muito bem, para o resto a devolução conta muito e, a longo prazo, dá bastante vantagem. Ele me falou sobre isso e acha que a dupla dele tinha que ter devolução. Eu mesmo não sou um grande voleador, talvez até esteja um nível abaixo desses caras top. Mas ele é muito bom e a gente acaba se completando.

E quais são as metas para 2009?
Não dá para esconder que a principal é o Masters. Ele já vem jogando faz tempo e eu quero seguir este caminho também. Em termos de ranking, resultados, tudo vem junto. Para ir ao Masters teremos que estar entre os oito melhores, vamos ter que ganhar muitos jogos. Já o sonho é ganhar um Grand Slam. Na verdade, seria bom ganhar um Grand Slam, porque assim já ia para o Masters e matava duas coisas de uma vez só (risos)...Mas o que queremos sobretudo é ter um ano sólido, consistente.

Em relação a calendário e treinamentos, como vocês vão fazer?
Eu vou seguir no Brasil. Estamos com a Centauro (incluindo Marcelo Melo e André Sá) e temos o Daniel Melo como treinador. Ele (Ullyett) segue em Londres. A gente faz os trabalhos que têm que serem feitos em casa e, nos dias que antecedem ao torneio, treinamos e cuidamos do entrosamento. Isso vem rápido. Todo mundo tem família e é bom descansar, um torneio atrás do outro cansa demais. Ele tem as coisas dele em Londres, eu em Belo Horizonte e cada um respeita o seu lado. Tem que ter um bom relacionamento, ceder um pouquinho e ir se adaptando.

Antes do acerto definitivo, vocês jogaram juntos e tiveram bons resultados. Ele é um cara mais velho, acostumado a ganhar. Você acha que essas duas coisas podem te colocar mais pressão, principalmente por ser um cara novo? Uma possível falta de resultados no início poderia comprometer o ano?
Pressão existe. Ele é um cara que está há dez anos no top 20. Mas ao mesmo tempo, a gente sabe que pode chegar longe. A pressão faz parte, seja pelo parceiro, pelo momento, torneio, patrocinador. Mas acho até que a maior pressão eu já passei, em Nottingham e Washington. Quando ele me chamou, não sabia o que poderia acontecer e falei para mim mesmo: “Você sempre quis um parceiro como esse, agora tem que aproveitar”. E ter jogado bem deu uma aliviada. A gente se conheceu dentro da quadra, treinamos muito. Passei a ver como ele jogava, como ele gosta de sacar, de cruzar. Mas pressão sempre existe, no número 1, no Marcelo e no André...Tênis é como futebol, tem que vencer. Se perde, cai treinador, muda tudo.

Em relação ao Masters Series de Paris, de repente você aparece na chave e logo com um cara top e que já está classificado para a Masters Cup. Como foi essa definição?
Eu estava sem parceiro e ia jogar em Madri com o (Dmitry) Tursunov, mas ficamos de fora. Passou um tempo e fui conversar com o (Juan) Monaco. Ele disse que não sabia se ia jogar em Paris, porque estava no qualifying de simples. Segui treinando e um dia, em Lyon, falei com o Andy (Ram). Perguntei se ele ia jogar com o Johnny (Jonathan Erlich, seu parceiro habitual), se ele tinha melhorado, e ele me respondeu que aparentemente sim. Deixei claro que estava sem parceiro e fui embora. Em outro dia, na quadra mesmo, ele gritou de longe para saber se eu queria jogar...então fechou (risos). Ele é um amigo nosso, sempre anda com os brasileiros e tem essa liberdade.

Além de jogar com o número 6 do mundo você entra direto na segunda rodada. Quer dizer, uma vitória representa muitos pontos, premiação...
Nem me fala. Eu só queria entrar, de repente já saí avançado, melhor impossível (risos)! Mas idéia é ganhar umas rodadas e estamos treinando bem. É final de ano, todo mundo está meio “chumbado”, mas vamos dar o último esforço pra fechar com bom resultado.

E vocês começam contra os franceses Gael Monfils e Gilles Simon, quer dizer, vai ser em quadra lotada, torcida contra. Por outro lado, eles não são especialistas e estão com a cabeça em simples.
Isso muda sim. Contra especialistas nas duplas o jogo é diferente, eles botam pressão, voleiam, fecham ângulo, cruzam. Os “simplistas” fazem jogar mais, têm melhores golpes de fundo, sacam bem. São estilos diferentes, mas as dificuldades são as mesmas. E em relação à torcida, quanto mais gente melhor. Para mim é ótimo ter grande público, sempre adorei isso nos Grand Slam.

 
     
  fonte - Tenis Brasil
crédito - Elói Silveira
 
 
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